Educação Infantil também deve ser planejada

Quando comecei minha jornada na Educação como professora da Educação Infantil na década de 1980, não tinha materiais educativos, orientações, nem mesmo preparo para lecionar, afinal ainda estava fazendo na época o Magistério em nível médio.

Para suprir minhas necessidades e de meus alunos, eu mesma, durante muitos anos, construí meus materiais pedagógicos. Muitos deles com ideias retiradas da revista Nova Escola, que desde aqueles anos já era minha companheira.

Uma vez lembro que encontrei na escola um dos poucos livros disponíveis, “Pinote, o fracote e Janjão, o fortão”, de Fernanda Lopes de Almeida. Era uma história sobre oprimidos, opressores, bullying (que na época nem tinha esse nome), amizades e superação. Copiei os desenhos dos personagens do livro em papel, transformei em fantoches. Li o livro para meus alunos, eles manusearam os fantoches e a história ganhou interatividade. Conversamos sobre os temas.

Eles adoraram: pela descoberta que um livro pode proporcionar, por ter acesso pela primeira vez a um livro, pelo encantamento de participar da história. Mas naquele momento eu não tinha a compreensão da aprendizagem proposta pela prática. Provavelmente reproduzi o que vivenciei nas escolas com minhas professoras quando criança.

Já meu filho, Antonio, teve muitas outras oportunidades de aprendizagem quando fez a pré-escola no inicio dos anos 2000. Dois momentos, entre tantos, marcaram sua trajetória nessa etapa. Um deles foi um grande projeto desenvolvido pelas professoras que propunha uma imersão cultural ao mundo oriental, especificamente na cultura japonesa. Eles estudaram toda a história da imigração ao Brasil. Tapiraí (SP), cidade em que morávamos na época, tem forte tradição e influência japonesas, trazidas pelos inúmeros imigrantes.

O outro momento foi o de conhecer e estudar a vida e obras de Tarsila do Amaral. Em ambos, ele aprendeu muito, pôde interagir, participar ativamente nas atividades e gostou das experiências.

Atualmente, conversando com professoras e professores da Educação Infantil e fazendo formações, tenho conhecido muitas práticas pedagógicas de qualidade. Muitas delas mostram a qualidade e intencionalidade pedagógica desses profissionais, que tiveram a oportunidade de receber formações adequadas, mas infelizmente essa ainda não é a realidade nacional.

Acredito que compreender a Educação Infantil é compreender o processo de alfabetização. Fico pensando nas inúmeras oportunidades de aprendizagens que podemos proporcionar aos pequenos. Por isso, estou sempre na busca de boas práticas na plataforma de planos de aula da Nova Escola.

Selecionei uma sequência de planos para crianças pequenas (4 anos a 6 anos e 2 meses) sobre alimentação que dá até vontade de voltar para a sala de aula na Educação Infantil para desenvolvê-los:

Atividade 1: De onde vem a nossa comida?

Atividade 2: Fazendo nosso próprio lanche: bolo de milho

Atividade 3: Nossas comidas favoritas

Atividade 4: Exploração sensorial com alimentos

Atividade 5: Refletindo sobre os alimentos de pouca aceitação

São planos de aula em que as crianças terão a oportunidade de aprender muito pensando sobre a sua própria alimentação, em práticas que envolvem a investigação sobre a origem dos alimentos, o processo de elaboração de um alimento, a aquisição de hábitos saudáveis ao comer, entre tantas outras coisas.

Tudo através das rodas de conversas, de desenhos, do levantamento de hipóteses a partir da problematização, de visita a um mercado ou feira livre, etc. Não são práticas difíceis de se realizar, são possíveis e estão bem organizadas e explicadas. Isso é colocar a criança como protagonista de sua aprendizagem de verdade.

Mais tarde, quando crescerem, elas se lembrarão desses momentos tão especiais na Educação Infantil, como meu filho se lembra ainda hoje, e o mais importante: levarão consigo toda essa bagagem de conhecimento.

Mara Mansani

Fonte e texto: https://novaescola.org.br/

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