Como está a parede da sua sala de aula?

No planejamento de início do ano, na escola em que trabalho, E.E. Professora Laila Galep Sacker, em Sorocaba (SP), nossa coordenadora Marisa propôs uma ação conjunta: um “tour” com todas as professores para observação e análise das nossas salas de aula. A ideia era refletir sobre o uso das paredes, de painéis e murais como espaços de aprendizagem.

Fomos em comitiva, de sala em sala. Cada professora, quando chegava à sua sala, explicava às colegas o uso que ela fazia dos espaços, mostrando suas práticas “in loco”. As visitantes ouviram com atenção as falas das professoras regentes. Também fizemos sugestões para aproveitar melhor o espaço de todas as salas.

Parece uma coisa simples e comum, não é? Mas nós que vivemos o dia a dia da profissão sabemos que não é bem assim. Nem sempre estamos dispostos a abrir nossa sala para receber os colegas de trabalho, por diversos motivos. Muito menos para ficar na berlinda, sendo alvo de avaliações e comentários deles.

Mas digo a vocês: foi muito bom ter esse olhar de fora, as falas, as reflexões e o aprendizado compartilhado com minhas colegas nessa atividade. E quanta coisa boa encontramos! Percebi nossa evolução enquanto corpo docente no uso dos espaços verticais. Saímos da “decoração” das paredes das salas para uma concepção de aprendizagem, de referências, interação, informação, expressão e compartilhamentos.

Nas paredes das salas que visitamos, encontramos: alfabetos, quadro numérico, tabuada, trabalhos dos alunos, mapas, lista de nomes da turma, expressões escritas dos alunos, exemplos de gêneros textuais, calendário, avaliações de livros que foram lidos, cartaz dos aniversariantes, os combinados da turma, espaço de troca de correspondências e muitas outras coisas. A maioria delas foram produzidas em atividades com os próprios alunos, envolvendo conhecimentos de várias disciplinas, levando em conta a participação ativa deles.

É bem provável que muitos dos elementos que encontramos nas salas de aula da E.E. Professora Laila Galep Sacker também estejam presentes na sua sala de aula, mas separei 3 práticas que vi que acho que podem te inspirar:

Calendário: Em vez de apenas deixar um calendário exposto em sala, a professora Vanusa, do 2º ano, destrinchou o calendário com os alunos. No painel, há um calendário mensal, um anual, a lista com os dias da semana, os aniversariantes, etc. Dessa forma, os alunos compreenderam melhor como é a composição do calendário, o que cada item representa, as nomenclaturas e abreviações usadas. Debates, reflexões e atividades de leitura e escrita fizeram parte das etapas para chegar até a produção final, o que é diferente de apenas expor um calendário apenas para consulta.

Painel de cartinhas: Como já disse em outro post, construí com meus alunos um painel com envelopes fixos para que as crianças pudessem trocar bilhetes e cartas durante a semana. Além dos colegas de turma, eu também estou participando das trocas. Em um dos dias da semana, reservo um espaço para a escrita dos alunos. O combinado é o seguinte: semanalmente, eu indico para qual colega o aluno vai ter a missão escrever a cartinha. Mas não há limitações de número de cartas e bilhetes, depois de cumprida essa missão, eles podem escrever para quantas pessoas quiserem. Dessa forma, vou fazendo um rodízio e garanto que todos possam receber pelo menos uma cartinha por semana.

As crianças já perceberam que quanto mais se envia, mais se recebe cartas. Vou fazendo intervenções na escrita quando é preciso ao longo da semana, sempre respeitando a privacidade e a confidencialidade de cada um. Eles têm a liberdade de escrever também em momentos em que estão livres ou em suas casas. Às sextas-feiras, abrimos os envelopes. Todos ficam ansioso para saber quem escreveu e o que escreveu. Essa atividade tem contribuído muito no avanço da leitura e da escrita dos alunos. Sem contar a aprendizagem do gênero textual e a oportunidade de se expressar e estreitar os laços de amizade. É muita aprendizagem envolvida!

Árvore dos desejos: Minha colega Lilian, que dá aula para o 5º ano, fez uma árvore dos desejos com os alunos, que consiste em uma representação imagética de uma árvore onde estão expostos os desejos de cada aluno. É uma maneira das crianças exporem e registrarem seus sentimentos. É um trabalho lindo, emocionante e que dá voz às crianças. Me lembrei que há alguns anos eu também fazia uma árvore dessa com as minhas turmas, e tive vontade de voltar a fazer, inspirada pela minha colega.

Todos os ambientes da escola podem ser espaços de aprendizagem, mas eles devem ser construídos coletivamente, com e para os alunos. Não faz sentido prepararmos ambientes lindos, decorados, muitas vezes passar horas e horas a mais de trabalho em casa produzindo essas peças de decoração que não representam a identidade e a expressão dos alunos.

Sugiro a vocês, professores, que façam o mesmo em sua escola. Coletivamente, analisem: como estão sendo usados os espaços de aprendizagem? Como eles foram construídos? O que está pendurado nas paredes de nossas salas de aula? O que está faltando? Se puderem, mandem fotos de suas salas de aula e contem nos comentários como esses espaços estão sendo utilizados.

Mara Mansani

Fonte e texto: https://novaescola.org.br/

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