Turma heterogênea: como trabalhar? cada um é um. E agora?

Saiba como seis professoras ajustaram as estratégias para ensinar a todos os alunos sem deixar nenhum para trás

Na escola do passado, quem não se adequava às expectativas do professor era pouco a pouco excluído e só os bem-sucedidos permaneciam. Hoje, as salas têm alunos de variadas realidades econômicas, culturais e sociais. Não faz mais sentido excluir os que não aprendem da forma esperada, em um tempo preestabelecido. “Ainda sentimos saudade do que podia ser controlado pela exclusão e pela homogeneidade. Mudar esse paradigma é o grande desafio atual”, diz Lino de Macedo, do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da USP. 

A questão é atual, mas já foi colocada em destaque muitos anos atrás pelo psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934). No livro A Formação Social da Mente – O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores (220 págs., Ed. Martins Fontes, tel. 11/3116-0000, 46,50 reais), ele esclarece que o educador deve ter estratégias diferenciadas para atender os alunos, já que todos não detêm os mesmos conhecimentos nem aprendem de forma igual. 

Admitir a heterogeneidade como uma característica não é o mesmo que lidar com ela na prática, e muitos questionamentos permeiam o dia a dia de quem ensina. Como apresentar um novo conteúdo se uma parte dos estudantes ainda não aprendeu o previsto? É melhor garantir o aprendizado de todos, desacelerando as aulas ou seguir o currículo mesmo que só alguns acompanhem? Se você se reconheceu nessas dúvidas, saiba que todas têm respostas, que por sua vez indicam um caminho: aprimorar os critérios didáticos para enfrentar o problema. 

No livro A Prática Educativa: Como Ensinar (224 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 60 reais), Antonio Zabala, especialista espanhol em Filosofia e Psicologia da Educação, explica: “Em cada caso, utilizamos uma forma de ensinar adequada às necessidades do aluno. Segundo as características de cada um, estabelecemos um tipo de atividade que constitui um desafio alcançável, mas um desafio, e, depois, lhes oferecemos a ajuda necessária para superá-lo”.

A essa consideração, você pode aliar o que os estudantes já sabem e definir os objetivos a serem alcançados por eles. No decorrer do processo, fazer sondagens para acompanhar a aprendizagem ajuda a identificar quem está ficando para trás, o que cada um compreendeu e revela o que precisa ser alterado no planejamento. “É fundamental saber lidar com um aluno que diz ‘não entendi’. Não adianta repetir a explicação. Ele precisa de outros recursos ou acessar a informação de um jeito diferente”, diz Maria Auxiliadora Megid, docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). 

Lembre-se de que os saberes da garotada são provisórios e o avanço depende, mais uma vez, da maneira de trabalhar os conteúdos e do jeito que você propõe a interação entre os pares. A variedade deve ser reconhecida e valorizada, inclusive pelos próprios alunos. Essa postura impulsiona a aprendizagem, conforme as argentinas Delia Lerner e Patricia Sadovsky explicam em Didática da Matemática (organização de Cecilia Parra e Irma Saiz, 258 págs., Ed. Artmed, 55 reais): “Em uma discussão, as argumentações dos colegas abrirão um caminho até a resposta. Formular uma nova pergunta constitui uma aprendizagem porque é o ponto de partida para a elaboração de um novo conhecimento”. 

Nas páginas seguintes, seis professores contam como lidaram com a heterogeneidade com três propostas: atividades diversificadas para trabalhar o mesmo tema, atividades diferentes para explorar conteúdos distintos e discussão coletiva. 

Inspire-se nos depoimentos para aperfeiçoar a prática, lidando com a heterogeneidade tal como ela é: uma característica intrínseca de toda classe.

Um tema visto por vários ângulos
Com atividades diversificadas sobre um mesmo tema, os alunos acessam as informações de maneiras múltiplas e têm mais oportunidades para aprender . Continue lendo esse artigo…

Fonte e texto: https://novaescola.org.br/

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