O que leva um professor a reprovar um aluno?

Pesquisa realizada pelo Cenpec destaca quais são as crenças que nutrem a decisão dos docentes em reter um estudante. Saiba quais são elas e entenda por que nem sempre elas se sustentam

Por que reprovar um aluno? A justificativa dada pela maioria dos professores é quase sempre a mesma: ele não aprendeu o que deveria ter aprendido. Mas o que faz um docente acreditar que a reprovação é a melhor solução? Para responder a essa pergunta, o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) realizou a pesquisa Crenças de professores sobre reprovação escolar (clique aqui para acessar)Os dados foram colhidos com 5.493 professores de Português (ou 30% dos docentes dessa disciplina na rede pública brasileira) do Ensino Fundamental e Médio que participaram da Olimpíada de Língua Portuguesa de 2014. O resultado? 9,4% dos professores são a favor da reprovação em todos os casos, 13% não consideram a reprovação uma boa medida e 78% nem concordam nem discordam totalmente dessa ação. A maioria dos docentes que veem a reprovação como a melhor solução para os alunos que não obtiveram bons resultados é formada por professores com pouco tempo de docência, que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental e têm pouco conhecimento de pesquisas sobre o efeito negativo da reprovação.

O mais interessante da pesquisa, no entanto, são as conclusões sobre as crenças que sustentam as ações dos professores para reprovar ou não um aluno. Saiba quais são elas e entenda por que nem sempre elas conseguem parar em pé sozinhas:


Que vença o melhor

Grande parte dos educadores entrevistados acredita que a meritocracia é um bom sistema de avaliação. Nele, o mérito (ser mais inteligente, mais esforçado, mais dedicado etc.) é a principal nota de corte, ou seja, quem tem mais mérito é mais recompensado e recebe uma avaliação melhor. De acordo com a pesquisa, quem segue a lógica de justiça meritocrática acredita que o papel da escola é oferecer a mesma Educação para todos, sem distinções. Então, se um aluno vai muito bem, é porque ele aproveitou a oportunidade de aprender e é naturalmente mais sabido. Se vai mal, não quer ou consegue acompanhar a turma. Essa ideia acaba definindo a trajetória escolar de todos os estudantes.

Por que essa crença não se sustenta?

Segundo Antônio Batista, , coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Cenpec, o problema vai muito além do que acontece na escola. Muitas crianças que apresentam baixo desempenho têm dificuldades ocasionadas por problemas familiares e sociais. “Há uma ideia comum de que as pessoas nascem inteligentes ou não. Mas isso não é verdade. Elas são fruto do contexto em que estão inseridas. A escola deve buscar promover a equidade de todos os alunos, dando mais aos que precisam mais. Em termos de esforço pedagógico, é preciso investir mais nos alunos com baixo desempenho para que todos tenham as mesmas oportunidades. Somente a partir do momento em que isso acontecer poderá se falar de mérito”, diz. Entretanto, a resolução de alguns problemas está fora do alcance da instituição escolar. “Em alguns casos, é preciso que haja serviços de assistência social para acompanhar as famílias. Aí sim a escola poderá se dedicar de fato a ensinar e educar, que é o trabalho dela”, defende Antônio.

 Comparação entre os alunos

No questionário, muitos professores revelaram usar provas e avaliações para estabelecer comparações entre os alunos, premiando os que obtêm notas altas e punindo aqueles que têm notas baixas, o que pode resultar em uma reprovação dos estudantes que se encaixam no segundo caso.

Por que essa crença não se sustenta? A noção de avaliação que considera somente o resultado de um aluno em relação ao outro é problemática. Ao montar o planejamento de suas aulas, o professor costuma traçar expectativas gerais para a turma. No entanto, um bom trabalho também considera que nem todos os estudantes aprendem no mesmo ritmo e que isso pode gerar algumas diferenças de aprendizagem na sala. Isso é normal e vale sempre a pena olhar para a curva de aprendizagem de cada aluno individualmente. Por exemplo, talvez o estudante A não apresente notas tão altas como o B, entretanto, se comparado a ele mesmo no começo do ano, é possível ver que o aluno A conseguiu se desenvolver bastante ao longo das aulas, dentro de suas possibilidades.

Quanto antes reprovar melhor

Muitos educadores acreditam que quanto mais jovem um aluno for reprovado, melhor será para ele. Sendo assim, a reprovação acaba adquirindo um efeito moralizante com o intuito de mostrar para a criança que, caso ela não aprenda e demostre um bom desempenho escolar, sofrerá punições. Continue lendo esse artigo…

Fonte e texto: https://novaescola.org.br/

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