Psicoterapia cria espaço de confiança para falar dos problemas

A imagem clássica que vem à mente das pessoas quando se fala em psicoterapia é a de um indivíduo em crise deitado em um divã falando livremente sobre seus problemas, enquanto um(a) psicanalista toma notas em silêncio absoluto. Para outros, a psicoterapia vem carregada do estigma de que é “coisa de louco” ou da ideia que toda e qualquer questão de saúde mental aponta a fragilidade ou escolha da pessoa em “estar assim”. Muito além dessa imagem limitada presente no imaginário coletivo e do que é popularmente difundido por aí, a psicoterapia é exercida de diversas formas e serve como uma importante ferramenta para a prevenção e promoção de saúde.

A psicoterapia é principalmente um espaço de fala, de escuta, de apropriação de si mesmo e de (re)construção da história que contamos a nós mesmos sobre as nossas trajetórias, memórias, sentimentos e projetos de vida. Esse espaço de confiança pode acontecer de maneira presencial ou virtual e independe da linha teórica escolhida como base de atuação do psicólogo (freudiana, lacaniana, winnicottiana, kleiniana, analítica, reichiana, comportamental, transpessoal, fenomenológica, psicodrama etc).

A história, em seu sentido mais amplo, é sempre viva e não linear, nos convidando a revisitar nossas dores, alegrias, afetos e desafetos. O que se propõe também em um trabalho psicoterapêutico, que pode ser individual, em casal ou em grupo, é que seja criado um ambiente de neutralidade, acolhimento, confiança, e que convide os indivíduos a um constante trabalho de reflexão sobre a própria subjetividade, auxiliando-os a desenvolver recursos para lidar com suas questões internas e a lidar com conflitos de ordem emocional que trazem sofrimento. Há quem diga que permitir que falemos sobre nós mesmos em uma conversa centrada e orientada por uma busca significativa permite o surgimento exatamente daquilo que tem o desejo de se transformar em palavras. Como diria Lacan (1), um dos principais psicanalistas franceses, a arte do analista deve ser baseada na suspensão das certezas do sujeito, “até que se consumam suas últimas miragens”.

Em momentos de conversa com educadores parceiros da Nova Escola, a psicoterapia é frequentemente apontada como um dos principais recursos utilizados por esses profissionais nos cuidados com a própria saúde mental. Muitos deles defendem, inclusive, que saúde e Educação devem andar juntas, já que a professora ou professor não recebe formação adequada para lidar com todas as demandas emocionais de seus alunos e, comumente, lhe é atribuída a tarefa de oferecer um suporte que vai além do acadêmico. Somado a isso, muitos professores relatam o sentimento de culpa por não dar conta de todos os desafios pessoais trazidos por seus alunos, e relatam a dificuldade em manter o distanciamento emocional das questões vividas pelos mesmos, pois temas como depressão, suicídio, violência doméstica e abuso também acabam entrando em sala de aula e fazendo parte do dia-a-dia da professora ou do professor. Além disso, por trás da persona de um profissional da Educação com tantos saberes, há uma pessoa lidando com sua própria história de vida que também requer cuidados e clareza de quem são as suas referências e rede de suporte em momentos de necessidade. Continue lendo esse artigo…

Fonte e texto: https://novaescola.org.br/

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