Grifar? Anotar? Resumir? É hora de rever o que você pede aos seus alunos

Calma, professor! Não estamos propondo que você deixe de lado os procedimentos que auxiliam crianças e adolescentes em seus estudos. No entanto, eles podem ser muito mais eficientes se feitos de formas diferentes do que são comumente realizadas no dia a dia da escola. É só pensar: olhando para trás, quantas vezes você se lembra de ter recebido ou dado instruções que iam além do “grife as partes mais importantes do texto”, “faça anotações do conteúdo da aula no caderno” ou “pesquisem sobre o tema que será abordado na próxima aula”?

“Em geral, a escola determina pedidos no campo comportamental”, aponta Walkiria Rigolon, pedagoga de formação e pesquisadora sobre trabalho docente e práticas formativas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação Carlos Chagas (FCC). “Aprender a estudar envolve uma dimensão cognitiva, uma relação de ensino mesmo e questões da didática”, explica. Por isso, mais do que direcionar o procedimento que os alunos devem praticar para apoiar seus estudos – fichamento, grifo, esquema, exposição oral, debate ou resenha, por exemplo –, o que falta são orientações claras de como esses procedimentos de estudo precisam ser feitos, independente da faixa etária do estudante.

A orientação de estudo ajuda os alunos a se apropriarem de ações que auxiliam a identificar as informações relevantes das periféricas, a sintetizá-las, combiná-las com outras informações, organizá-las e expressá-las de diferentes maneiras, como em apresentações orais, uma resenha ou pesquisa. “Ensinar os estudantes a estudarem é um conteúdo esquecido pelas escolas ou cujas iniciativas (escassas) têm sido marcadas por alguns equívocos”, diz Rodnei Pereira, licenciado em Pedagogia, Letras e Filosofia e pesquisador na FCC.

Embora a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não trate diretamente do tema, eles podem auxiliar em temas transversais, como a checagem de confiabilidade de informações. “Eles acabam ajudando a entender os caminhos que eu preciso percorrer para pesquisar a origem da notícia e aprender onde e como pesquisar”, exemplifica. Em Buenos Aires, na Argentina, os procedimentos de estudo já são parte do currículo.

Mesmo não sendo uma prática comum no Brasil, algumas iniciativas têm trazido a importância dos procedimentos de estudo. É o caso do currículo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da prefeitura de São Paulo, que contou com Walkiria e Rodnei como redatores da área de Língua Portuguesa. Mas, engana-se quem pensa que essa tarefa é apenas do professor desta área. Algumas escolas em que trabalham como consultores também têm adotado a prática e, em 2018, Walkiria as trabalhou com suas turmas de 5º ano em uma escola estadual. Saiba mais na entrevista exclusiva que a dupla de pesquisadores concedeu à NOVA ESCOLA:

Por que ensinar a estudar?

WALKIRIA RIGOLON A escola está sempre solicitando algo que não ensinou. Ela tem uma “dívida” de ensinar o que solicita. Outra questão é que a maioria dos projetos político-pedagógicos (PPP) trazem a ampliação da autonomia do estudante e sua a emancipação. Você não consegue dar autonomia para ninguém, sem que essa pessoa possa ter autonomia para estudar sozinha. Continue lendo esse artigo…

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