Leitura semiótica: de um traço se faz o mundo

A não linearidade das palavras – novas disposições e linguagens – nos faz repensar sobre uma nova leitura do que nos cerca ou, até, de nós mesmos. Parece que estamos percorrendo um novo caminho desde quando se registrou, há 20 mil anos, os primeiros traços. E o mundo não foi sempre o mesmo. Foi evoluindo, ou pelo menos, criando meios de distribuição da informação.

Como jornalista especialista em comunicação e semiótica, além de estudante de Letras, proponho a seguinte reflexão, com base nas dificuldades que os jovens encontram  para adquirir o hábito de ler. Afinal, os dados do último Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), de 2015, mostraram que o aprendizado dos jovens brasileiros está bem abaixo da média internacional.

Com base em marcas gráficas e nos demais signos disponíveis, damos nomes às coisas e desvendamos o universo e as pessoas. Em uma visão mais ampla do conceito de leitura, ler é algo maior do que simples decodificação e recepção passiva. Ler é ainda mais do que tão somente dar sentido às palavras: é compreender unidades constituídas de sentidos múltiplos, em diferentes suportes físicos e gêneros: vídeos, sons, texturas, paisagens naturais, gráficos, imagens e emojis.

Toda leitura é realizada através do conhecimento que temos destes signos e, para isso, utilizamos a linguagem verbal ou não-verbal, ou multimeios. As imagens, os emojis,  as abreviações e demais formas de interação exigem uma boa habilidade de ser um “leitor de mundo”. Para ler, é necessário, também, descobrir as intenções e o contexto através das pistas discursivas.  Entender estas pistas é ler os signos; é a leitura semiótica.

Se pensássemos na relação entre estes suportes, teríamos ainda o cinema, o poema concreto, a música, a propaganda, as instalações artísticas e, mais atualmente, os memes. Sendo cada vez mais específica, do século XX ao XXI nossa lista seria enorme! Talvez infinita diante da dinamicidade das formas, mensagens e tecnologias que nos permitem edições e reconstruções. Há sempre algo por dizer!

De acordo com Maria Helena Martins (1997), é preciso “considerar a leitura como um processo de compreensão e expressões formais e simbólicas, não importando por meio de que linguagem”. Ler é estabelecer uma relação dialética entre os signos linguísticos e a realidade. É interpretar o próprio lugar no mundo. Não me restrinjo aqui aos textos escritos, mas também falo sobre textos orais, sonhados, nunca ditos e nunca representados. Já dizia Paulo Freire (1987): “A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo”. É, portanto, um ato político, histórico e cultural.

Mesmo sendo um ato antigo, precisamos lembrar que ler não se restringe à técnica de decodificação aprendida na escola, mas também é um ato que estende as possibilidades de conhecimento e de atitude, que é munida de instrumentos que nos fazem enxergar além e que acompanha a complexidade da tecnologia e da sociedade que criamos. Continue lendo esse artigo…

Fonte: https://www.entretantoeducacao.com.br/

Comments

comments

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: