Intervenção Escolar- Ultrapassando as hipóteses de escrita

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal. Emília Ferreiro

Orientações para qualificar o processo de alfabetização.

    • Após aplicar as sondagens da escrita ( sondagem de palavras e a sondagem textual ) o educador terá subsídios para concluir em que hipótese psicogenética da escrita e da leitura os alunos se encontram para direcionar uma intervenção adequada aos mesmos, desta forma terão respaldo para ultrapassarem as hipóteses da escrita até conquistarem uma construção alfabética com função social;
    • Além de identificar as habilidades em raciocínio lógico matemático, habilidades psicomotoras, sociais, atencionais e artísticas dos alunos para utilizá – las como recurso no momento da alfabetização;
    • Respeitar a faixa de desenvolvimento cognitivo em que o aluno se encontra;
    • Dar tempo ao aluno para exploração de conceitos;
    • Provocar conflitos cognitivos levando o aluno à pensar, selecionar, optar e conferir suas escolhas refazendo – as se necessárias;
  • Planejar e direcionar as atividades que envolvam o aluno como agente ativo do processo ensino – aprendizagem;
  • Oferecer as informações necessárias, possibilitando ao aluno a compreensão global dos fatos e relações;
  • Analisar tudo o que o aluno faz: descobrir o que ele domina, utilizar – se de suas hipóteses ( erradas / para compreender a sua forma de pensar e refazer seu planejamento );
  • Construir com seus alunos regras de convivência social, buscando passa – los da heteronomia para a autonomia;
  • Enfatizar o trabalho coletivo organizado e ativo;
  • Incentivando o respeito mútuo;
  • Realizar a auto e a hetero – avaliação;
  • Avaliar o processo, descaracterizando a nota enquanto nota;
  • Realizar um processo de avaliação contínua, cooperativa, diagnóstica e formativa;
  • Tornar o aluno agente do processo ensino – aprendizagem direcionando – o, questionando – o, permitindo e exigindo – lhe ação.

 Sugestões de intervenções para auxiliar os educandos, ultrapassarem cada hipótese da escrita.

 – Hipótese pré – silábica 1.

Antes do trabalho da criança com as atividades escritas, faz – se necessário um amplo trabalho do professor com material concreto e vivências.

As atividades sugeridas abaixo irão preparar a criança para um melhor desempenho nas atividades escritas e darão suporte durante todo o processo de alfabetização.

  • Trabalho intenso com os nomes das crianças, destacando as letras iniciais _ atividades variadas com fichas, crachás e alfabeto móvel.
  • Contato com farto e variado material escrito _ revistas, jornais, cartazes, livros, jogos, rótulos, embalagens, textos do professor e dos alunos, músicas, poesias, parlendas, entre outros…
  • Observação de atos de leitura e escrita.
  • Audição de leitura com imagem: notícias, propagandas, histórias, cartas, bilhetes, etc…
  • Atividades de escrita espontânea: listas, relatórios, auto – ditado.
  • Atividades para distinção de letras e numerais.
  • Manipulação intensa do alfabeto móvel.
  • Desenho temático, modelagem, recorte, dobradura.

– Hipótese pré – silábica 2.

  • Caixa com palavras ou nomes de cada aluno da classe;
  • Classificação de palavras ou nomes que começam com a mesma letra, palavras grandes e pequenas, etc…
  • Registro de como se escrevem algumas palavras ( fonte de conflito );
  • Jogos diversos:
  • Bingos de letras, de iniciais de nomes, de nomes e outros;
  • Memória de letras, nomes, desenhos;
  • Dominós associando nomes e iniciais, desenhos, letras;
  • Baralho de nomes, figuras;
  • Quebra – cabeças variados com gravuras, nomes, letras;
  • Pescaria de nomes, letras iniciais ou de letras do alfabeto;
  • jogos com cartões:
  • Parear cartões com nomes iguais;
  • Parear cartões com desenhos;
  • Parear cartões com letras.
  • Jogos com o alfabeto móvel:
  • Elaborar fichas ou crachás;
  • Formar o próprio nome e os dos colegas à vista do modelo;
  • Separar e agrupar letras iguais;
  • Álbuns:
  • De rótulos e embalagens;
  • De nomes e retratos ou auto – retrato;
  • Da história de vida da criança.
  • Jogos e brincadeiras orais:
  • Com rimas;
  • Adivinhações;
  • Telefone sem fio;
  • Recados orais; Jornal falado.
  • Outras atividades e brincadeiras:
  • Leitura de poesias e quadrinhas, parlendas, músicas, etc…
  • Planejamento da rotina do dia;
  • Avaliação dos trabalhos do dia;
  • Relatório oral de experiências;
  • Histórias mudas;
  • Produção de texto – coletivo;
  • Conversa informal;
  • Correio;
  • Etiquetação de objetos;
  • Estudo e interpretação de gravuras;
  • Jogos de atenção;
  • Análise e síntese de palavras;
  • Interpretação oral de texto;
  • Reescrita com representação através de desenhos do texto trabalhado;
  • Reconto e reescrita das histórias;
  • Auto – ditado e escritas espontâneas.

– Hipótese silábica (sem valor e com valor sonoro).

  • Atividades que envolvam frases e textos para facilitar a vinculação do discurso oral e texto escrito.
  • Escrita e recebimento de cartas, avisos e outros…
  • Elaboração de textos coletivos e fatiados;
  • Transcrição de contos e brincadeiras conhecidas, histórias inventadas pelas crianças, acontecimentos atuais, ocorrências.
  • Reconto e reescrita de histórias;
  • Leitura de poesias, parlendas, histórias e outros textos significativos;
  • Identificação de frases pelo seu correspondente oral.
  • Trabalho simultâneo relacionado com letras, palavras e textos.
  • Análise sonora sobre as iniciais dos nomes próprios e palavras significativas;
  • Desmembramento oral e escrito dos nomes e das palavras em sílabas ( pedacinhos ); pronúncia pausada das palavras, solicitando – se ao aluno que contem os pedacinhos;
  • Classificação de palavras com o mesmo número de sílabas ( pedacinhos ) que iniciam com a mesma letra;
  • Completar lacunas em textos e palavras.;
  • Jogos variados com gravuras e letras iniciais, com gravuras e palavras;
  • Dicionário ilustrado com desenhos ou gravuras e escrita dos respectivos nomes, do jeito de criança;
  • Auto – ditado, listas, escritas espontâneas diversas;
  • Atividades para trabalhar com rimas, sons iniciais, finais e medianos das palavras;
  • Ditado de palavras e frases para diagnóstico do nível conceitual dos alunos;
  • Ditado feito pelos próprios alunos, cada um falando uma palavra;
  • Ditado com gravuras para os alunos escreverem apenas a letra inicial;
  • Ditado para o professor, os alunos ditam palavras ou frases para o professor escrever no quadro negro e ainda ditam como deve escrevê – las, depois de escrever nas versões dos alunos o professor mostra como é escrito nos livros.
  • Colocar letras em ordem alfabética;
  • Montar com o alfabeto móvel, nomes e palavras livremente;
  • Trabalhar com réguas de letras, carimbos, máquinas de escrever, computador, jogos com letras e palavras;
  • Completar palavras com a primeira letra (usar o alfabeto móvel);
  • Contar o número de palavras de cada frase.

– Hipótese silábica – alfabética.

  • Jogos e atividades variadas com alfabeto móvel e sílabas móveis;
  • Caça – palavras;
  • Cruzadinhas;
  • Jogos de memória, bingo, dominós diversos;
  • Leitura e interpretação oral de diferentes textos, poesias, músicas, parlendas, textos do aluno e do professor, notícias, reportagens, etc…
  • Produção de textos coletivos e individuais;
  • Montagem e escrita de pequenas estruturas lingüísticas;
  • Adivinhações, trava – línguas, quadrinhas, anedotas;
  • Relatório oral e escrito de experiências vivenciadas;
  • Escrita de cartas, bilhetes, listas, anúncios e propagandas;
  • Análise e síntese de palavras significativas;
  • Escritas espontâneas e auto – ditado;
  • Leitura de livrinhos de literatura, jornais e revistas ( em grupo ou individual);
  • Classificação e seriação de palavras;
  • Jogos e atividades orais que permitam à criança brincar e recriar com a linguagem ( rimas, poesias, entre outros… );
  • Trabalhos manuais: recortes, dobraduras, pinturas, encaixes propiciam às crianças novas formas de expressão e uso, em sua linguagem, de novas palavras;
  • Oficinas de histórias, reconto e reescrita;
  • Construção de relatos e descrições;
  • Diálogos, entrevistas e reportagens surgidas nas situações cotidianas;
  • Transcrição de receitas, brincadeiras, piadas;
  • Recorte de figuras ou palavras para montagem de álbuns ou dicionários.

 – Hipótese alfabética.

  • Produção de textos à partir do desenho do aluno;
  • Exploração dos textos individuais com toda a classe, sugerir a escrita de textos à partir de outros textos já conhecidos pelos alunos: letras de música, poesias, histórias, descrição de brincadeiras, regras de jogos, etc…;
  • Produção de textos coletivos sobre acontecimentos ou interesses dos alunos naquele momento;
  • Atividades à partir de um texto:
  • Leituras globais de um texto ou parciais;
  • Reconhecimento de palavras, frases ou letras no texto;
  • Análise de palavras do texto quanto ao número de sílabas e de letras, quanto à letra inicial ou final, etc…
  • Ditado de palavras e frases relativas ao texto trabalhado;
  • Copiar palavras do texto com uma, duas, três sílabas, etc…
  • Marcar, no texto nomes próprios e comuns, rimas, palavras no singular e no plural, etc…
  • Remontagem do texto com fichas de frases ou palavras;
  • Escolher palavras do texto e elaborar pequenas frases;
  • Registrar, à frente das frases, o número de palavras que a compõem;
  • Montar frases com fichas das palavras do texto;
  • Produções de histórias em quadrinhos;
  • Leituras de diversos tipos de textos.
  • Sugestões de atividades para o trabalho com sílabas.
  • Distinção de uma só sílaba na palavra escrita;
  • Distinção estável de todas as sílabas das palavras (classificar palavras de acordo com o número de sílabas);
  • Possibilidade de considerar sílabas independentemente da sua inserção em palavras concretas;
  • Condições para classificar sílabas de acordo com o número de letras que a constituem, letra inicial ou final da sílaba, etc…
  • As atividades propostas devem envolver palavras de um universo semântico vinculado ao interesse dos alunos: nomes de animais, partes do corpo, personagens de histórias, novelas e outros, ou de palavras que surgem na sala de aula;
  • Atividades para completar a primeira ou a última sílaba dos nomes ou palavras com material concreto (fichas, jogos,…);
  • Sugestões de atividades para o trabalho com letras;
  • Alfabetos variados ( tamanho, forma das letras, material ) para montagem de palavras ou frases mediante desafios interessantes do professor.
  • Reescrever as palavras do álbum ou dicionário já montados nos níveis anteriores.
  • Construir dados de letras.
  • Jogos   industrializados   ou   confeccionados   pelos   alunos ( inclusive de ordem ortográfica ).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AZENHA, Maria da Graça. Construtivismo de Piaget a Emilia Ferreiro. 5º ed. São Paulo. Ed Ática. 1997.

FERREIRO, Emilia. Alfabetização em processo. 5º ed. Petrópolis. Ed Cortez. 1989.

_____________.e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. 4º ed. Porto Alegre. Ed Artes Médicas. 1991.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a educação. 2º ed. São Paulo. Ed. Cortez. 1997.

PIAGET, Jean. A construção do real na criança. 3º ed. São Paulo. Ed. Ática. 1996.

VYGOTSKY, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo. Ed. Martins Fontes. 2001.

___________ . A formação social da mente. 6º ed. São Paulo. Ed. Martins Fontes. 1998.

Fonte: http://www.blogin.com.br/

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