Quem quer ser professor no Brasil?

Não seria possível fechar esta série de postagens especiais sobre professor sem olhar para o futuro da profissão. Saber quem quer ser docente no Brasil está no centro de todas as questões abordadas no blog durante este mês e deveria inquietar não apenas os gestores educacionais e especialistas, como toda a sociedade. Isso porque as pesquisas mostram que, mesmo em ambientes desfavoráveis, um professor bem formado é sempre um trunfo a favor da Educação.

Aproximadamente 2,4 milhões de professores entram nas salas de aula da Educação Básica todos os dias no Brasil. Esse número é suficiente? A pergunta não tem resposta exata, porque não há um estudo detalhado sobre quantos profissionais seriam necessários para atender adequadamente todos os alunos – até porque isso varia de acordo com as oscilações demográficas da população em idade escolar e a quantidade de turmas e escolas.

Mas há outras maneiras de olhar para o assunto. Por exemplo: 30,1% dos nossos professores têm mais de 45 anos e, em tese, devem se aposentar em breve, deixando uma demanda a ser preenchida. Em contrapartida, dados elaborados pelo Todos Pela Educação com base no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2014 indicam um baixo interesse na carreira docente, pois a cada 100 estudantes de Licenciatura, somente 51 concluem o curso e apenas 27 manifestam interesse pela sala de aula.

Entre essa minoria está Maria Aline Fernandes, licenciada em História pela Universidade de São Paulo (USP), que entrou na graduação com a convicção de ser professora. Embora engajada, Maria não escapou dos problemas. “Eu me deparei com muitas dificuldades práticas para as quais a universidade não me preparou. Por exemplo, a resolução de conflitos. O professor está muito vulnerável na sala de aula, dedicando a maior parte do tempo para outras coisas menos relacionadas aos conteúdos pedagógicos. Acho que deveriam existir dois tipos de curso: um para quem seguirá a docência e outro para os que desejam outras carreiras”, opina a educadora, que atua há alguns meses na rede municipal de ensino de São Paulo.

Não por acaso, a questão da formação dos futuros professores voltou à tona com uma política de formação docente recém-lançada pelo Ministério da Educação (MEC), que prevê a oferta de residência pedagógica para estudantes de licenciatura. A ideia não é nova nas políticas públicas, pois já vinha sendo objeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), lançado em 2013. O Pibid infelizmente nunca atingiu a escala que deveria. De qualquer modo, o modelo é interessante, uma vez que promove a troca de experiências entre docentes em diferentes momentos da carreira, bem como insere os licenciandos no mundo da escola ainda na graduação. Continue lendo…

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/

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