Cargo exige maquiagem, diz ministra baiana que pediu salário de R$ 61 mil

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, conversou com a Coluna do Estadão nesta quinta sobre o requerimento que protocolou no governo no qual compara sua situação com a de um trabalhador escravo por ter parte do salário glosado pela lei do abate teto. A ministra diz que é seu direito receber o valor integral para trabalhar como ministra porque o cargo lhe impõe custos como se “vestir com dignidade” e “usar maquiagem”. Ela não se arrepende de ter comparado seu caso ao trabalho escravo. “Todo mundo sabe que quem trabalha sem receber é escravo”, diz.

Conforme a Coluna revelou, dos R$ 30.934,70 a que tem direito a receber como ministra, ela recebe R$ 3.292 bruto. O valor cai porque ela já tem outra renda paga pelo Estado como desembargadora aposentado, de R$ 30.471,10 bruto. Ao final do mês ela recebe da União R$ 33,7 mil, mesmo salário de um ministro do Supremo. No requerimento ela pede ao governo para receber os dois valores sem cortes, o que lhe garantiria R$ 61 mil todo mês.

Estadão – A senhora pediu ao governo para não ter seu salário glosado. Por que razão?
Luislinda – Eu trabalhei e ganho meus proventos porque eu contribui para a Previdência. Eu decidi requerer meu salário de ministra. Eu trabalho 12, 14 horas por dia, eu moro em Brasília, estou distante da minha família, eu pago condomínio, tenho minhas despesas, tenho que me vestir com dignidade, tenho que estar maquiada, eu tenho uma representatividade e eu trabalho. Ontem mesmo (terça, 1) eu saí do gabinete quase dez horas da noite. Por que eu não vou requerer a remuneração desse trabalho que eu estou prestando ao Estado brasileiro? Foi o que eu fiz. Meu pecado foi esse.

E – Qual a expectativa da senhora?
L – Protocolei meu requerimento pedindo para que se avalie o caso. Se for acatada a pretensão que me paguem o que me for devido, o quanto o que os demais ministros também recebem. Eu protocolei um requerimento. É um direito de postular. Um direito constitucional de requerer.

E – A senhora acha justo receber mais de R$ 60 mil por mês do Estado?
L – Eu trabalhei mais de meio século pagando todas as minhas contribuições previdenciárias. Até porque já vinha no meu contracheque descontado exatamente para obter, como todo brasileiro, a minha aposentadoria no momento oportuno. Eu contribui para a Previdência. Esse dinheiro é meu, garantido pela Constituição da República Federativa do Brasil. Me aposentei e em seguida fui convidada pelo presidente a trabalhar como secretária de Promoção da Igualdade Racial. Depois fui nomeada ministra de Estado dos Direitos Humanos. Sou soteropolitana. Com essas nomeações eu vim morar em Brasília.

E – A senhora mora em apartamento funcional?
L – Sim, mas eu pago o condomínio, que é altíssimo, quase R$ 1.600. Eu tenho meus imóveis em Salvador, que eu continuo pagando água, luz, condomínio, uma pessoa para cuidar da minha casa lá. Não tenho nenhuma cobertura do governo porque eu acho que é errado. O governo não tem que dar boa vida a ninguém, de maneira nenhuma. Não tenho nada, acho feio tudo isso. Nada contra quem tem, mas eu não tenho. Se o ministério tem cartão corporativo eu nunca nem peguei. Sou muito radical nisso. A gente não precisa de muito dinheiro para viver. A gente precisa de paz.

E – Então o que justifica a senhora requerer o direito de receber mais de R$ 60 mil por mês?
L – Eu tenho minhas despesas aqui. Eu como desembargadora aposentada eu posso botar a minha sandália Havaiana e ir em qualquer lugar em Salvador. Mas como ministra de Estado eu não posso fazer isso, então já vem mais custo. Eu tenho uma representatividade. E eu recebo como ministra R$ 2.700 (líquido).

E – Por que a senhora comparou sua situação a trabalho escravo?
L – Eu fiz apenas uma analogia. Todo mundo sabe que o trabalho que não é remunerado é considerado trabalho escravo. Agora, porque que as pessoas se apegaram somente a isso? Isso é que eu não entendi (…). Acompanhe entrevista completa no link que segue: Cargo exige maquiagem, diz ministra baiana que pediu salário de R$ 61 mil

Fonte: https://informebaiano.com.br/

 

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