Reescrever para escrever com qualidade

A moçada experimentou todas as etapas da produção textual para redigir melhor

Foi no quadro, com a professora Renata Maria Pontes Cabral de Medeiros, que as crianças reescreveram uma das histórias da mais famosa coletânea da cultura oriental, As Mil e Uma Noites, conhecida no Ocidente desde o século 18 e publicada em diferentes versões. O conto narra os esforços de Sherazade para dissuadir o rei Shariar a matar todas as jovens do reino onde viviam. O monarca, decepcionado com sua primeira esposa infiel, não acreditava mais que as mulheres eram dignas de confiança. Por isso, desposava uma a cada noite e, para não correr o risco de ser traído novamente, mandava matá-la no dia seguinte. Esperta, Sherazade pensa num plano: ela decide se casar com Shariar e, para fazê-lo esquecer da sua vingança, inventa uma nova aventura incrível sempre antes da hora de dormir. Quando o clímax está chegando… pausa! Ela diz que o sol está nascendo e interrompe a narrativa para continuar no dia seguinte.

Enquanto Sherazade levou mil e uma noites para persuadir o monarca com histórias surpreendentes, Renata precisou de apenas quatro meses para fazer a turma do 4º ano da EMEF Fabiano Alves de Freitas, em Ituverava, a 415 quilômetros de São Paulo, escrever textos de qualidade. Partindo da prática coletiva para a individual (leia o quadro abaixo), a ideia foi realizar um projeto de reescrita de contos de aventura para ensinar às crianças as principais etapas de produção de um texto: criação de repertório, planejamento, textualização, revisão e edição. Posteriormente, o resultado da atividade se transformaria em um livro, que circularia pelas outras classes. “É importante permitir que os alunos se apropriem das práticas próprias da cultura escrita, inclusive a de produzir para um público externo ler. Além disso, a reescrita de textos de qualidade possibilita a interação com modelos que trazem informações linguísticas e repertório necessários a todo escritor”, explica Mónica Baez, psicolinguista, doutora em Pesquisa Educacional e professora da Universidad Nacional de Rosario, na Argentina. Com esses recursos em mãos, o grupo, que começou alfabético no início do ano, mas não escrevia mais que listas e uma pequena quantidade de frases com sentido, passou a produzir textos extensos, com sequência lógica, bem pontuados e com correção ortográfica.

Em foco, as características do gênero

A professora se preocupou em fazer uma seleção de contos de um tema sobre o qual a turma se interessava. Entre eles, estavam clássicos da literatura como Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, Ali Babá e os Quarenta Ladrões e Simbad, o Marujo. A escolha dessas histórias é um dos destaques do trabalho da docente, de acordo com Denise Guilherme, formadora de professores e curadora do Leitura em Rede. “O repertório apresentado não é qualquer um. A professora Renata traz bons modelos de contos e escolhe trabalhar com um gênero novo para as crianças, o que a permite dar sentido ao trabalho com a estrutura desses textos”, afirma ela. Foram seis semanas de leitura, durante as quais os estudantes conheceram diferentes versões das histórias, com adaptações de autores como Ruth Rocha, Carlos Heitor Cony e Rosalind Kerven. (…). Artigo completo no link que segue abaixo:

Reescrever para escrever com qualidade- Em foco, as características do gênero

Fonte: https://novaescola.org.br/

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