Clube Inglês ajuda a educar jovens com necessidades Especiais

Não só de títulos recentes e conquistas regulares se constrói uma reputação no futebol. Os ingleses do Everton sabem bem disso. Ainda que os Toffees tenham um passado imerso em glórias e o time seja um dos mais tradicionais do Reino Unido, o que tem ditado sua grandeza nos últimos anos são suas características históricas de clube altruísta e que tem uma forte ligação com a comunidade. A agremiação de Liverpool tem uma estrutura fenomenal voltada para atender as necessidades da sociedade, principalmente daqueles que vivem à margem dela. E um dos fragmentos desse plano social dos Toffees é a Everton Free School, a primeira e única escola idealizada e sustentada por um clube da Premier League. Uma escola que ensina pessoas com dificuldade cognitiva, doenças mentais e problemas comportamentais.

A Everton Free School foi fundada como uma extensão do Everton in the Community, o departamento do clube que oferece amparo de muitas formas a moradores de rua, pessoas viciadas em drogas, portadores de doenças mentais, físicas e psicológicas, idosos abandonados e outros membros da comunidade de Merseyside. O intuito desse projeto de educação é inserir socialmente estudantes que precisam de um tratamento especial. Hoje, são 120 crianças e jovens envolvidos nesse programa tendo aulas de Inglês, matemática, ciência e outras disciplinas pertinentes para o desenvolvimento intelectivo desses alunos. Crianças e jovens estes que passaram por traumas íntimos e ligados à educação, sofrendo bullying ao frequentarem escolas “normais”, por exemplo, como no caso de Liam, um portador de autismo e Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Liam não teve uma vida fácil. Falando assim, parece até que já tem uma idade avançada e passou por momentos de sofrimento ao longo de sua existência. Na verdade, ele tem apenas 15 anos, mas teve que lidar com traumas desde pequeno. Liam foi vítima de violência doméstica durante seu crescimento, e também carrega marcas adquiridas em escolas despreparadas para lidar com crianças e adolescentes especiais, tendo sido alvo de bullying e até tentado tirar sua própria vida. Antes de entrar na Everton Free School, como conta sua mãe em matéria publicada pela BBC nesta quarta, o garoto andava tendo tendências suicidas e não se sentia bem na escola. “Era muito angustiante para mim enquanto mãe saber que eu tinha que trabalhar o dia inteiro enquanto meu filho estava em um lugar que ele odiava estar”.

Laura, a mãe do jovem, comenta também que quando descobriu a Everton Free School, pensou que não poderia dar errado colocar Liam para estudar lá. O menino é torcedor dos Toffees desde pequeno, e a experiência de ter aulas em uma instituição administrada pelo clube do coração de Liam certamente influencia em sua aprendizagem, tornando-a mais fácil. Aprender e estar em um ambiente escolar têm sido mais descomplicado também para Chloe, uma garota que tem a mesma idade de Liam, mas cujos problemas se resumiam a mau comportamento no colégio. “Fui expulsa da escola. Eu era malcriada e não fazia nada lá, além de sempre discutir com todos os professores. Eu costumava sempre estar envolvida em brigas”, relembra a menina também à reportagem da BBC.

Embora a ideia do projeto da Everton Free School seja incrível, bem como os demais programas sociais assistidos pelo clube, para ter acesso a esse tipo de educação diferenciada, é necessário pagar um preço, e este preço é bastante salgado. Os pais das crianças e jovens matriculados na escola têm que desembolsar cerca de £ 14,5 mil por ano para isso, valor que é o triplo do que é cobrado pelas instituições de ensino regulares e que é até compreensível, já que o colégio conta com profissionais qualificados nesse sentido de dar atenção a pessoas com dificuldades e problemas e tem um foco bastante específico. “Trabalhamos para envolver os jovens à educação, e não ao crime”, falou Richard Cronin, executivo da Everton Free School.

Quem colabora com essa metodologia fazendo visitas periódicas são os jogadores dos Toffees. Vira e mexe, um atleta ou outro aparece na escola para motivar as crianças e os jovens. Nesta terça-feira, quem esteve na Everton Free School foi Seamus Coleman. Devido ao Dia Internacional da Síndrome de Down, o lateral direito participou de um evento de comemoração à data e conscientização quanto à atenção que os portadores dessa doença precisam ter. O irlandês até foi entrevistado por um simpático garotinho que se aventurou na função de repórter da Everton TV por um dia. Além de Coleman, o veterano Phil Jagielka, as jovens promessas Ademola Lookman e Tom Davies e outros jogadores do elenco e que já passaram pelo Everton também já visitaram a escola e levaram um pouco de alegria e exemplo aos alunos.

Fonte e texto: http://trivela.uol.com.br/

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