SACI PERERÊ CONTRA X-MAN E POKEMON- Dia 31 de outubro não é Halloween em território brasileiro

Em 2003, o deputado comunista Aldo Rebelo, atual Ministro da Defesa, propôs  um projeto de lei para tirar as bruxas do nosso calendário. Em uma campanha contra a influência da cultura estrangeira, propôs o Dia do Saci na mesma data do Halloween, o maior feriado pagão dos EUA.

A justificativa do projeto de lei parece papo de lunático.

Ao citar o “[Manifesto do Saci”, propõe combater “a invasão dos X-Men, Pokemons, raloins [Haloween na língua do Aldo]”

Sim, entre aspas! Tudo isso está escrito no documento assinado por Aldo Rebelo.

A Comissão de Educação e Cultura aprovou o projeto por unanimidade em 2004. O Saci Pererê venceu as bruxas e conquistou seu lugar no calendário nacional.

Que tal agora falar do nosso Saci Pererê?

O SACI PERERÊ

Fruto do imaginário coletivo, a lenda vem desde o século XVIII. O Saci é um menino muito travesso que só tem uma perna depois de se dar mal na roda de capoeira. De pele negra e personalidade arteira, o jovem sempre carrega um cachimbo na boca. Na cabeça, uma carapuça vermelha mágica. Como está sempre fazendo molecagem, muitos querem pegá-lo, mas é quase impossível capturar um Saci. Vive escondido em redemoinhos, nasce em brotos de bambu. O espertinho que conseguir pegar um deve colocá-lo imediatamente dentro de uma garrafa e tampá-la bem de pressa.

J. Marconi

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Dica de como capturar um saci: utilize uma peneira na base de um redemoinho.

QUEM TROCOU O AÇÚCAR PELO SAL?

Sempre brincalhão, um bom Saci não mede a malícia na hora de fazer maldades. Nada de barbaridades. A diversão do nosso querido perneta é fazer pequenas travessuras. Dar nó em rabo de cavalo, quebrar os ovos das galinhas e trocar o açúcar pelo sal no pote da cozinheira.

O ser humano não consegue tranquilizar sua inquietação quando falta tanta explicação do mundo. Para Monteiro Lobato, a criação e sucesso do Saci Pererê revelam uma necessidade psicológica de explicar inúmeros fenômenos do nosso cotidiano que não conseguimos entender. Sabe quando a sua roupa favorita some do armário? Ou aparece um sapato que você nunca viu antes na sala da sua casa? Como explicar? Talvez um Saci tenha usado suas artimanhas para bagunçar a sua vida e dar boas risadas do seu desespero.

POPULARIDADE EM ALTA

Instigado pela força do Saci e seus amigos folclóricos, Monteiro Lobato decidiu investigar as histórias por trás do menino de gorro vermelho. Pediu que os leitores do jornal O Estado de S. Paulo de 1917 que enviassem seus relatos sobre o mito do Saci. O resultado foi tão surpreendente que rendeu à publicação do “O Saci-Pererê: resultado de um inquérito”.

Na década de 1950, foi a vez de Ziraldo, o criador de Menino Maluqinho. O quadrinista lançou uma série de quadrinhos na revista O Cruzeiro. Teve até time de futebol que adotou o personagem como mascote: o Sport Club Internacional do Rio Grande do Sul.

OS SACIÓLOGOS

O Saci não está sozinho. Em séculos de existência na fantasia nacional, o moleque travesso conquistou fãs e estudiosos. Existe até a Sociedade dos Observadores de Saci (SOSACI). Auto-intitulado como uma organização não capitalista, foi fundada pelo jornalista Mouzar Benedito e amigos durante uma conversa de bar em São Luís do Paraitinga, pequena cidade do interior de São Paulo. O grupo tentou transformar o personagem no mascote da Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014, mas o perneta perdeu para o tatu bola que ficou conhecido como Fuleco. O lema da turma de observadores de Saci é “eu já vi um”. É claro que nenhum dos admiradores do folclore brasileiro poderia desmentir a frase.

O POLITICAMENTE CORRETO QUER CAPTURAR O SACI

Negro que faz travessuras; jovem fumante de cachimbo; deficiente físico sem acesso a perna mecânica… O saci é um prato cheio para os politicamente corretos. Para piorar, a jovem figura mítica brasileira está envelhecendo para os modelos de entretenimento e cultura contemporânea. Para lutar contra a morte da tradição, o documentário “Somos todos Sacys” de Sylvio do Amaral Rocha e Rudá K. Andrade foi lançado em 2005 para contar em quase uma hora a riqueza do personagem e história do menino que mescla influencias culturais africanas, indígenas, lusitanas e brasileiras. Assista ao vídeo gravado durante dois anos no interior de São Paulo com as perguntas: você já viu Saci? Como é Saci?

Vamos nos divertir sem culpa com o Halloween. Só que antes de tudo é preciso dizer. Hoje é Dias das Bruxas e viva o Saci!!!

Fonte: http://www.tasometro.com/

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