A Reprovação Escolar- quem é responsabilizado? VEJA O QUE DIZ Ronie Anderson Pereira!!

“Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação.”
(Mark Twain )

RESUMO

Não se pode responsabilizar somente o aluno pela reprovação escolar, pois ele não é o único sujeito do processo. Cabe também ao professor a responsabilidade pela reprovação do aluno, já que ele é o principal responsável por não ter conseguido incentivar o educando a desenvolver hábitos que motivem a sua aprendizagem. Todos podem ser motivados e o professor deve descobrir o que motiva o seu aluno a aprender, para evitar a reprovação.

(PALAVRAS-CHAVE: reprovação, escolar, aluno, professor, aprendizagem, educação)

Durante um jogo quando um time perde, quem é responsabilizado? O técnico ou os jogadores? Se cair um prédio, será responsabilidade de quem? Do engenheiro responsável pela obra ou dos pedreiros? Em uma escola, quando ocorre a  reprovação de um aluno, quem deve ser responsabilizado? O aluno ou o professor?

A reprovação escolar tem sido discutida ao longo do tempo, muitos fatores são conhecidos, outros tantos supostos, mas não podemos negar a responsabilidade enquanto professor quando um aluno é reprovado. Para Silva, a reprovação é um instrumento covarde, pois joga toda a culpa das mazelas da Educação justamente no elo mais fraco da corrente – o aluno.

Segundo Rosa (2002 p. 152): “a maneira de compreender a educação mudou com Rogers – o ensino que era centrado no professor, passa a ser centrado no aluno”. Mas nem por isso o professor deve ter a sua responsabilidade tirada de fora, pois “a aprendizagem é significativa quando o aluno percebe a relevância do que estuda” (Rosa, 2002 p. 154).

E cabe ao professor mostrar ao aluno a relevância do que está aprendendo. Vale perguntar, por que ocorre a reprovação? O que deu errado?

– O aluno não tinha interesse, diria o professor;
– O professor era ruim, diria o aluno;
– Os conteúdos eram chatos…

Mas, pessoalmente, acredito que o maior responsável pela reprovação do aluno seja o professor, claro, com algumas raras exceções. Mas por que? Se o aluno não tem interesse, deve o professor despertar o interesse do conteúdo. Conforme artigo de Bühler (2007 p.49),  o compromisso docente “é o de buscar uma aproximação com seu aluno no sentido de identificar suas reais possibilidades de aprendizagem”.

Freire (2007, p. 47) coloca que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face a tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento.

Rosa (2002, p. 28) cita que “para que ocorram as aprendizagens, é necessário um estado de alerta (moderado), impulso, vontade e desejo de aprender, ou seja, motivação”.

Todos os indivíduos são de alguma forma motivados. Ao educador, cabe descobrir a rota de como chegar ao aluno. O incentivo que ocorre em sala de aula deve ser suficientemente forte e eficaz, de forma a envolver o aprendiz na situação de aprendizagem, oportunizando a ocorrência de mudanças desejáveis.

Cabe ao professor despertar no aluno o interesse pela aprendizagem e motivá-lo para aprender, pois desta forma o conhecimento não estará somente sendo transferido, mas também aprendido.

De acordo com artigo de Novakoski, muitas escolas excluem seus alunos com provas, que são instrumentos para classificar os alunos e nada mais. Conhecimento não pode ser medido por notas e, se assim o fizermos, estaremos correndo um grande risco de afastarmos as pessoas da escola, pois a mesmas não está preparada para avaliar as diversas inteligências e capacidades que os alunos têm.

Se o aluno não se encaixa dentro daquilo que a escola quer, ele é taxado como não inteligente, como alguém que não sabe nada, e até, eu ousaria dizer, “burro”. Não tenho a pretensão, em nenhum momento, de tirar a responsabilidade do aluno com a sua reprovação, e existem casos em que o aluno é o único responsável, mas suponho que esta responsabilidade deva ser dividida com os professores, que como educadores devem ser capazes de identificar o possível problema de reprovação na sua classe antes que ocorra.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dificilmente se chegará em um consenso sobre reprovar ou não um aluno, mas podemos destacar que a reprovação nada acrescenta ao educando e de maneira nenhuma a aprovação coloca este aluno como melhor, ou mais inteligente que aquele que foi reprovado. Na melhor das hipóteses, a aprovação apenas mostra que aquele que foi aprovado conseguiu melhor memorizar os conteúdos que lhe foram apresentados, mas não é fator de superioridade frente aquele que foi reprovado.

É claro que a aprovação escolar evidencia bons hábitos de estudo e memorização. “A reprovação não é uma experiência agradável, porém, não é um motivo que deve desabonar o estudante pois, às vezes, esta pode servir para que ele aprenda o valor do estudo e desenvolva métodos mais eficientes no próximo ano escolar”.

Espero que este artigo seja útil para que nós professores possamos refletir sobre os problemas da reprovação escolar e tentar, se não eliminar, ao menos diminuir.

Autor: Ronie Anderson Pereira

Fonte: http://www.pedagogia.com.br/artigos/reprovacaoescolar/

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