Resiliência: o que é e por que toda criança deve aprender?

Essa semana, li um artigo, chamado “Does your classroom cultivate student resilience?” (em português: A sua sala de aula cultiva a resiliência dos alunos?), que causou um grande impacto sobre mim. Até então, eu ouvira falar muito pouco sobre resiliência, menos ainda sobre sua aplicação na educação – e bastou um pouco mais de pesquisa para eu me convencer da sua importância no desenvolvimento infantil. Aqui estão algumas das minhas descobertas sobre resiliência:

O que quer dizer resiliência?

A resiliência é a habilidade de se adaptar às adversidades, superar estresse, falhas ou tragédias e se reconstruir a partir de então. Ou seja, possui resiliência quem é capaz de lidar com os sentimentos de ansiedade ou inaptidão, enfrentar as dificuldades e sair da experiência tão bem quanto (ou ainda melhor) do que entrou. Uma característica essencial para criar indivíduos confiantes e saudáveis.

Além disso, resiliência não é um traço genético – ela pode ser ensinada. Faz-se isso orientando as crianças, desde cedo, a agir tranquilamente diante de obstáculos e alimentando sua autoestima.

Entretanto, não presuma que crianças e adultos resilientes não irão sofrer durante a vida. A dor, a tristeza e mesmo traumas emocionais estão fadados a surgir em determinados momentos para qualquer um. A diferença é que eles estarão mais preparados para enfrentar esses sentimentos com perseverança e senso do próprio valor.

A resiliência entre crianças pequenas

Muita gente imagina que, devido à pouca idade, crianças pequenas não entendem o que ocorre em torno delas. Afinal, durante a primeira infância, elas estão desenvolvendo suas habilidades de linguagem e expressão e, portanto, nem sempre são capazes de comunicar o que estão sentindo claramente. Mas não se engane: mesmo bebês absorvem o impacto de eventos graves, brigas, acidentes, ou mesmo conversas tensas que acabem por entreouvir. Como perceber, então, se uma criança está ansiosa ou assustada?

Repare em sinais que indiquem o mal estar dela, ainda que ela não consiga explicá-lo: carência (ela recentemente se tornou muito “grudada” aos adultos, exigindo mais colo, beijos e abraços do que de costume?) pode ser um indicativo de que algo não vai bem; regressão em algum comportamento que ela já aprendera anteriormente (de repente, ela parou de ir ao banheiro sozinha, voltou a chupar o dedo, etc.) também mostra que ela está enfrentando uma dificuldade.

Nesses momentos, tanto escola quanto família devem trabalhar para criar um ambiente de segurança para a criança. A rotina é essencial nesse processo – isso faz com que os pequenos se sintam mais em controle, já que entendem o que irá acontecer durante o dia; assim, eles conseguem planejar as próprias ações. Reserve tempo para conversar e de fato ouvir a criança, desenvolva brincadeiras e leituras que a façam sentir incluída.

Ensinando resiliência

Além de oferecer seu tempo e carinho, há uma série de maneiras de cultivar a resiliência em uma turma de Educação Infantil:

  • Elogie esforços: garanta uma atmosfera em que as crianças sejam reconhecidas por seu trabalho duro e dedicação, não apenas pelo sucesso. Evite a palavra perfeito – diga “que desenho criativo, como você fez esse cachorro? Por que escolheu essas cores? Que bom, dá para ver que você se esforçou bastante”, ao invés de um simples “está lindo”. Reforce que falhar faz parte do aprendizado, ao invés de um motivo de vergonha. Ajude as crianças a refletir sobre suas produções, apontando do que gostaram em suas atividades e o que acreditam que pode ser melhorado.
  • Construa a autoestima: não refaça o trabalho das crianças em busca de um resultado “perfeito”. Por exemplo, se um dos alunos está feliz por pentear os cabelos sozinho, não apanhe a escova e o penteie novamente. Elogie a pró-atividade dele e deixe que use o cabelo como quiser! Do contrário, ele se sentirá incapaz de realizar a tarefa e irá, cada vez mais, duvidar de sua capacidade de se cuidar por conta própria.
  • Não entre em pânico: se uma criança tropeçou e caiu, se foi empurrada, se tentou subir em uma árvore e acabou no chão – assista, espere e deixe que ela aprenda a se levantar sem ajuda. Auxilie, não tomando controle da situação, mas conversando de modo a diminuir o susto. “Que legal, você estava subindo na árvore! Eu vi que você chegou bem perto, parabéns! Daqui a pouco, você tenta de novo. Agora, vamos limpar a terra e brincar com seus amigos?” é muito melhor do que “Eu avisei para não subir na árvore, não disse que ia se machucar?”.
  • Apresente modelos: leve histórias de heróis e heroínas que superaram adversidades e use a narrativa para iniciar discussões com a classe. Qual desafio o protagonista enfrentou? De quais habilidades precisou? Quais forças e fraquezas ele possuía? Outras pessoas ajudaram o herói – e de que maneira? O que ele aprendeu? Você já precisou usar essas habilidades na vida real? Alguém já te ajudou a fazer algo ou você ajudou alguém? Como? Incentive as crianças a dividir suas próprias histórias, tornando-se cientes de sua capacidade em resolver problemas.

Fonte: http://naescola.eduqa.me/

 

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