Crianças bilíngues: como ensinar inglês antes da alfabetização?

“Quanto mais cedo for o contato, mais facilidade a criança terá em aprender qualquer conteúdo”

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O ensino de outro idioma deve respeitar o ritmo da criança – elas só terão contato com a escrita em inglês após a alfabetização na língua materna (foto: Marista Idiomas)

O ensino de um segundo idioma ainda na primeira infância já levantou ressalvas e despertou o receio dos pais – mitos como o de que a criança teria atrasos na língua materna, por exemplo, ainda são ouvidos em escolas. A maioria das pesquisas atuais, porém, comprova que, se abordado corretamente, o aprendizado de outra língua traz uma série de benefícios às crianças.

Um estudo das das instituições Concordia University, York University e Université de Provence, que observou 63 crianças de dois anos de idade, concluiu que elas não somente não confundiram os dois idiomas como se tornaram mais focadas do que outras da mesma faixa etária. À Revista Educação, a doutora em bilinguismo Elizabete Flory listou as vantagens apresentadas por esses alunos: “A primeira é uma certa antecipação da consciência metalinguística – eles se dão conta de que o objeto tem palavras diferentes para representá-lo e diferenciam com qual língua falar com cada pessoa”. Ela cita ainda o desenvolvimento do raciocínio lógico e habilidade para cálculos.

Isso acontece porque, desde o nascimento até os três anos, o cérebro da criança cresce em um ritmo acelerado. A atividade cerebral só começa a se assemelhar à de um adulto a partir dos 10 anos de idade – ou seja, ela está vivendo seu período mais fértil, em que absorve novos conhecimentos em alta velocidade.

Contudo, os resultados só serão positivos caso o ensino seja trabalhado de forma adequada à fase em que ela se encontra. “É importante seguir as mesmas etapas que se ocorrem na língua materna, acompanhando o desenvolvimento das habilidades orais antes das práticas escritas”, afirma Leila Guerino, pedagoga e coordenadora da Escola Marista Idiomas, em Curitiba. A escola importou a metodologia Red Balloon, com enfoque exclusivo em crianças e adolescentes.

As habilidades linguísticas devem se desenvolver nos mesmos moldes tanto no idioma nativo quanto nos adquiridos ao longo da vida: primeiro, o reconhecimento de sons e interações entre palavras (a fonologia); as nuances de signficados (semântica); as regras de ordenação das palavras para criar sentenças (sintaxe); e, enfim, a habilidade de infligir intenções no discurso – como convencer, como implorar, como ordenar, etc. (pragmática). Forçar um contato com a escrita cedo demais pode ser traumático e frustrar o estudante, afastando-o da língua.

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O inglês antes da alfabetização

Nas aulas do Red Balloon, utilizam-se flashcards (cartões com figuras ou desenhos), role-play (interpretação de papéis e criação de diálogos), jogos, músicas e filmes para criar um ambiente em que o inglês seja falado com naturalidade. A introdução da escrita só surge aos 7 anos, quando as crianças já foram alfabetizadas na língua materna, e um estudo mais intenso da gramática começa por volta dos 9 ou 10 anos.

Através da imersão, a expectativa é que o aluno domine cerca de 1.500 palavras e expressões rotineiras até os 4 anos – com os 10, ele já terá um conhecimento básico do idioma consolidado a longo prazo.

Parece muito? Talvez para um adulto. Leila comenta que a relutância em falar inglês aumenta quanto mais tarde a criança começa as aulas. “Entre as crianças pequenas, o professor fala apenas inglês e elas conseguem seguir as instruções e realizar as atividades – mesmo que não estejam entendo o significado de cada palavra ouvida, elas percebem o contexto. Ao ficarem mais velhas, elas passam a ser mais exigentes e se sentem aflitas se não compreendem parte da frase, o que acaba prejudicando o aprendizado”, explica ela.

Leila ressalta a importância do contexto e de se definir tarefas próximas ao cotidiano da classe: “é essencial gerar um espaço para que eles falem de si mesmos, de temas de seu interesse, façam pesquisa ou debates”. Afinal, a criança aprende por meio da experiência, da brincadeira e da construção. Deve-se tomar como base o conhecimento prévio, aquilo que ela já sabe, para, então, dar sentido aos novos ensinamentos. Sentir-se no controle do próprio aprendizado também rende resultados positivos: o aluno que reconhece que sua evolução depende de seu esforço, atenção e tempo dedicado lida melhor com novos desafios, pois compreende como superá-los.

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Atrasos e dificuldades

Crianças bilíngues não estão, é claro, imunes a dificuldades no processo de aprendizado. Todas as pesquisas mostram, porém, que esses atrasos se manifestam na mesma frequência que entre alunos educados em apenas um idioma.

Sendo assim, é possível, sim, que uma criança que aprende português e inglês simultaneamente apresente alguma lentidão na fala de uma das línguas (ou de ambas) – assim como uma outra, que convive apenas em ambientes de língua portuguesa, está sujeita ao mesmo problema. Nesse caso, o ensino bilíngue não causa diferença. Essas dificuldades podem ser geradas por fatores externos, neurológicos ou genéticos, e devem ser superadas com a ajuda de médicos especialistas.

Fonte: http://blog.eduqa.me/

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